XXXIV – Sai pra lá uruca!

Tenho um limite máximo de três dias para ficar muito triste ou aborrecida. Depois disso, me cansa! Das duas uma, entubo ou tomo uma atitude. Nesse caso (raro), resolvi entubar!

 

Tá bom, posso não ter mais uma identidade muito clara, mas pensando bem, faz parte do brasileiro essa capacidade de se adaptar a novas influências e de mesclar culturas diferentes. Nesse sentido, posso dizer que mantenho alguma identidade, certo? Também se não for, que se dane! Tudo na vida tem um preço, fazer o que?

 

Acho que foi o faxinão que fiz hoje em casa. Aqui não temos empregada. Nada como uma boa faxina para colocar as coisas sob perspectiva, não é mesmo? Parece aquelas frases machistas do tipo “vai lavar um tanque de roupa suja!”. Mas juro que não é esse o espírito da coisa.

 

Falando em faxina, desde que mudei para Atlanta, sou eu que faço a limpeza da casa, com alguma ajuda do Luiz, se possível. A diária de uma faxineira nos EUA, para um apartamento, estava por volta de US$ 80; aqui em Madri, por volta de E$ 40. Obviamente, realizada por imigrantes sul americanas. Lembrando que essa diária é por três horinhas de trabalho e só inclui limpeza. Nem pensar em passar uma roupinha ou limpar um vidrinho!

 

Cheguei a conclusão que não me adiantaria tanto e resolvi cuidar disso eu mesma. Aliás, como a maioria das pessoas faz. Não é só uma questão de dinheiro, é que parece estranho alguém de fora cuidando da sua casa. Entendo isso melhor agora.

 

Por outro lado, as coisas são mais práticas. Além do apartamento ser menor, os produtos são bons e há todo tipo de paninhos de limpeza descartáveis. Aqui não existe ralo, não se pode lavar um banheiro ou uma cozinha porque não há por onde escorrer a água. Se eu jogar um balde de água no chão da cozinha, vaza lá embaixo na cabeça do vizinho! Também não tem tanque. Isso quer dizer que se eu precisar lavar um pano de chão, posso escolher entre a pia do banheiro ou a pia da cozinha! Eca! Nojenta do jeito que eu sou, uso tudo descartável.

 

Lembrei de uma história, uma vez, brincando com esse negócio que eu faço a faxina, escrevi em uma mensagem para amigos dizendo que a faxineira aqui em casa é universitária e dorme com o patrão. Um dos amigos não entendeu e nos achou muito modernos! A minha piada, em si, era até meio sem graça. Mas ter que explicá-la para ele foi hilário!

 

Outro hábito que adquirimos foi o de tirar os sapatos ao entrar em casa, normalmente, pedimos aos hóspedes que também os tire. As visitas, a gente deixa meio opcional, algumas pessoas ficam desconfortáveis e não é nosso objetivo, por isso não insistimos. Mas é que o Jack – e batatinha quando nasce – se esparrama pelo chão, e depois sobe na nossa cama e no sofá branco. A casa fica mais limpa também quando tiramos os sapatos, facilita minha vida. Adoro a casa arrumada, com cheiro bom de incenso. Pronto! Casa limpa, sai pra lá uruca! 

3 comentários em “XXXIV – Sai pra lá uruca!”

  1. Eu também nao gostava da idéia de ter faxineira, achava estranho também, nao me sentia bem em pagar para outra imigrante limpar a minha casa (sei lá, nao gosto da idéia), mas no fim acabei pegando porque estava sentindo muitas dores nas costas… estamos com uma senhora filipina super de confiança, trabalha bem e nao cobra muito! E agora me dá uma preguiça de limpar… hahahaha

  2. Olá?!
    Eu devo ir para Atlanta agora no final do ano,e queria saber se é muito complicado achar emprego de faxina em Atlanta????Voce morou lá né???
    Tem algum lugar que eu possa ir e procurar algo.
    Muito obrigada
    Pati

  3. Oi, Pati!

    Olha, difícil dizer. Saí dos EUA há quase 5 anos. Na época em que morei, havia muitas brasileiras trabalhando com limpeza, inclusive eram as melhores. Era comum que elas se juntassem em dupla, porque assim terminavam mais depressa e faziam umas 3 casas por dia. Para ser sincera, nunca contratei ninguém, eu mesma limpava minha casa. Por isso, não tenho idéia de quem você possa procurar, mas você pode tentar algum contato nos cursos de idioma ou nos mercados brasileiros. Boa sorte!

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