XIII – Chegou a mudança!

Nossa mudança veio de navio. Levou um mês para chegar, o que é um ótimo prazo! Como os primeiros apartamentos alugados eram mobiliados, ficamos sem móveis apenas por uma semana. 

Quando saímos do Brasil para Atlanta, nossa mudança demorou quatro meses para chegar! Como já tínhamos duas camas de casal e a esperança que elas chegaríam um dia, compramos uma cama inflável provisória que virava uma mala e podia ser guardada sem ocupar muito espaço. Olha, para uma visita dormir um fim-de-semana… umas duas semanas… até um mês, vá lá! Muito prático e não é tão desconfortável. Mas dormir q-u-a-t-r-o meses sobre um balão! Me poupe, ninguém merece! Não há cristão que aguente! Era assim, se eu estivesse na cama antes e o Luiz entrasse muito rápido, eu pulava do outro lado. Quando ele levantava pela manhã, eu rolava para o meio da cama. Um dia não aguentamos e dormimos no chão. Foi uma merda! Mas pelo menos variamos um pouquinho e foi mais fácil aturar a porcaria da cama inflável outra vez! 

E os móveis improvisados em Atlanta? O escritório onde Luiz trabalhava estava mudando de local e eles estavam dando ou vendendo alguns móveis a preço de banana. Óbvio que eram móveis de escritório. Arrecadamos duas mesas desmontáveis, quatro cadeiras rígidas e duas poltroninhas de recepção. Fora dois aparelhos de fax, em perfeitas condições de funcionamento, que iriam para o lixo! Um amigo sul-africano do Luiz, que passou por um calvário pior, pois já ficou nove meses esperando pela mudança, nos emprestou alguns acessórios como luminárias, espelho, aparelho de CD. O resto a gente foi improvisando com caixas. Por exemplo, compramos uma TV e a caixa de papelão da TV virou seu próprio suporte, assim, como uma mesa pós-moderna. As caixas da cafeteira e do forno elétrico se converteram nas nossas mesinhas de cabeceira. Em linguagem artística, podemos dizer que minha casa seguia uma linha de “arte povera”. Bom, uma hora os móveis chegaram e pasme, não havia nem um copinho de cristal quebrado.  

Portanto, pode acreditar que, ao saber que nossa mudança chegava em Madri após apenas um mês, eu dava pulos de alegria! Só não conseguia entender onde o caminhão ia estacionar, pois se achar uma vaguinha para carro era um parto, imagina achar umas quatro ou cinco vagas juntas para parar o tal do caminhão? E os móveis subiriam como? O elevador era mínimo e subir com tudo pela escada… imaginei o que eles iam xingar! E mais uma vez, por que não darmos uma chance ao caos? 

Muito bem, olha que incrível, alguém no governo pensa! As empresas de mudança pedem uma autorização para prefeitura, que marca as vagas na frente do endereço da entrega por um determinado prazo. Ou seja, no dia que minha mudança chegou, as vagas na frente do edifício, estavam separadas para o caminhão. Isso não evita que um ou outro engraçadinho arrisque parar por pouco tempo, antes do caminhão chegar, mas você pode chamar a polícia ou a grua (nosso reboque). 

Segundo passo, ainda não estava segura que meus móveis entrariam e como eles fariam isso. Entrou o responsável da equipe no apartamento para verificar as condições da entrega. Ele nem mediu porta ou corredor, foi direto para a janela da sala, disse que o espaço era tranquilo para passar tudo e achou ótimo. Fiz a cara 17, a de o-que-ele-está-vendo-que-eu-não-estou. O apartamento é pequeno, o elevador é mínimo, a escada é alta, o corredor é apertado, a abertura da janela é estreita e meus móveis são grandes! Mas se tem uma coisa que tenho aprendido ultimamente é ter fé! Se ele disse que era fácil… E olha que coisa linda, eles tinham uma solução! 

Em, literalmente, dois segundos eles desmontaram a janela da sala, cuja abertura ficou excelente! Encostaram um tipo de elevador elétrico portátil que ia do chão da rua até nossa janela, e subiram com todas as caixas e móveis por fora do edifício. Inclusive, foi rapidíssimo! 

Agora era moleza! Só tinha que arranjar lugar para tudo que havia nas trocentas caixas de papelão em um apartamento quase sem armários! Tudo bem vai, pelo menos ia dormir na minha caminha!

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