XI – A tal da internet

         Oi, sou Bianca e sou viciada em internet…

         Oi, Bianca! 

Olha, o dia em que for fundado o IA (internaulatras anônimos), serei a primeira a frequentar as reuniões e o diálogo acima fará parte da minha rotina. Admito, sou uma completa viciada em internet, não vivo sem ela, tenho tremedeiras, pesadelos, minha vida se torna miserável! 

Uma das primeiras coisas que tivemos que fazer ao chegar em Madri, foi procurar um local público para checar minhas mensagens. Descobri os tais centros de ocio. Adorei esse negócio de lazer ser chamado ocio! E mais ainda, adorei poder checar minhas mensagens que se acumulavam impiedosamente entulhando a caixa postal. 

A primeira vez que me interessei pela tal da internet foi, no mínimo, curioso. Logo que a rede foi viabilizada para os réles mortais, Luiz começou a me encher o saco para ter um e-mail, navegar na rede etc. Mas a verdade é que nessa época quase nenhum amigo meu tinha e-mail e ia procurar o que na rede? Ia sair visitando enciclopédia? Olha só que santa ignorância, né? 

Daí eu quis fazer um currículo novo para buscar novas oportunidades no mercado, o que no popular quer dizer: procurar outro emprego. Achei que soaria moderno colocar um e-mail nos meus dados pessoais. Assim, pela primeira vez passei a ter um endereço na internet. Como havia colocado no currículo, é claro que alguém poderia me responder por e-mail. Portanto, comecei a também checá-lo. Pronto, a partir desse momento nunca mais fui a mesma! Descobri essa janelinha que me leva onde quero e me ajuda a achar quase tudo: restaurantes, endereços, vinhos, amigos, informações, cidades, hospitais… 

Mas o principal mesmo é a comunicação. Com essa minha vida meio nômade, é a única forma garantida de me encontrarem e também a maneira mais acessível para não perder o contato com as pessoas. Não sou muito de telefone, sempre acho que estou ligando em hora errada, e quando me ligam estou sempre meio fora do ar, nunca reconheço a voz de quem ligou… sei lá, ligações telefônicas me deixam meio nervosa. Freud deve explicar! Já as mensagens escritas são perfeitas! Elas sempre serão lidas na hora que o destinatário puder e ele te responderá se quiser. 

Quando estava para me mudar do Brasil, meus pais, principalmente minha mãe, perceberam rapidamente que a internet seria valiosa para mantermos a comunicação. Luiz ensinou o “b-a-bá” e deu uma webcam para meus pais e para os dele. Com isso, eles poderiam nos ver a hora que quisessem, pois também temos uma. Definitivamente, foi uma aquisição importantíssima! Acho que o mesmo bicho que me mordeu, mordeu também minha mãe, que agora discute profundamente os detalhes técnicos do seu computador e já até fez aula de informática. 

E o poder libertador dos e-mails? Aquela piada infame, aquela foto de baixaria, aquela corrente ridícula… tudo aquilo que nunca teríamos coragem de mandar ao vivo, de repente, pela internet vira arte! É tudo permitido! Bom, permitido é uma coisa, tolerado é outra, por favor! Eu por exemplo, odeio correntes e mensagens de anjinhos em que as palavras caem letra por letra m-u-i-t-o d-e-v-a-g-a-r!

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