68 – O Natal e as coincidências

Passamos o Natal em Madri, aqui em casa mesmo. Jantaram conosco um casal de amigos muito queridos e seu filho. Foi surpreendentemente bom, pois não digo que não bateu uma saudade, mas depois da ceia, fomos para internet e vi pela câmera uma parte da minha família em uma festa que me pareceu animadíssima. 

Meus pais e meu irmão foram passar o Natal em Belo Horizonte, a maioria da família por parte do meu pai está lá. Na casa da minha tia, meu primo instalou uma webcam e pudemos fazer um encontro virtual. Além dos meus pais e meu irmão, vi meu avô, meus tios e primos, com direito ao fundo musical do meu tio tocando carinhoso e a aparição da mais nova priminha que nasceu quando eu já estava fora do Brasil, uma fofa! Viva a tecnologia! 

Também falamos por telefone com a parte da família do Luiz. Pena que não foi com o video, pois a imagem é sempre muito forte, mas também foi bem gostoso. É sempre bom saber que quem a gente gosta está bem e bem acompanhado. 

Aqui em casa, fiz o tradicional lombo de porco, recheado de damasco e pêssego, coberto por uma camada de presunto cru. Minha amiga trouxe o peru e uma cheese cake deliciosa. E claro, havia os básicos arroz branco, bem refogado, e uma farofinha na manteiga e alho. Acompanhados da sequência campeã de cava, vinho tinto português e um vinho de sobremesa catalão. 

De presentes, ganhei um tambor do Luiz e dei uma bota de esquiar para ele. O Jack, nosso famoso gato, ganhou uma poção extra de patê, além do direito a permanecer na festa. Nossos amigos, conhecendo nossa fama de gulosos, nos deram uma lata de biscoitos amanteigados dinamarqueses. 

E agora que contei o Natal, vamos às coincidências. Nós fomos padrinhos de casamento desses amigos, há uns cinco anos atrás, no Brasil. Nessa época, todos nós morávamos em São Paulo. Depois disso, eles foram para Suécia e nós para os Estados Unidos. Esse ano, mudamos juntos para Madri, por caminhos e motivos diferentes, quase no mesmo mês! 

Achou pouco? Então, conto mais uma. Uns dois dias antes do Natal, recebi um presente muito bacana, fui aceita na pós-graduação da Universidade Complutense, no curso de Teoria e Prática em Arte Contemporânea. Na verdade, fui aceita junto com uma amiga brasileira que preciso voltar no tempo para contar a história. Na minha época de colégio, estudava em Brasília e com uns doze anos conheci essa amiga. Depois disso, o mundo deu muitas voltas, mudei várias vezes, nos encontramos e desencontramos pela vida. No ano passado, morando em Atlanta, um dos meus passatempos era buscar amigos perdidos pela internet. Acabei achando essa amiga e fiz contato. Ela respondeu e descobri que sua irmã morava em Madri, cidade para onde já sabia que me mudaria. No início desse ano, quando morava aqui, ela veio visitar sua irmã e nos reencontramos. Curiosamente, tínhamos muitos pontos em comum e um interesse na mesma área, artes. Daí começamos a buscar cursos para fazer e tal. Encurtando a história, vinte e quatro anos depois, estudaremos juntas outra vez, agora aqui em Madri! 

Continuando, essa não é exatamente uma coincidência, mas um capricho do destino. Morando nos Estados Unidos, conhecemos um amigo americano que estava em plena crise existencial, tentando mudar sua vida radicalmente. Essa história é bem longa, mas também encurtando um pouco, com nossa vinda para a Espanha ele ficou muito inspirado e achou que poderia ser a mudança que ele tanto desejava. Nos visitou como hóspede, há alguns meses atrás e esse mês veio com a esposa para que ela também conhecesse a cidade. Pois não é que também estão tentando se mudar para cá! 

Será que Madri está na moda? 

No dia 26 de dezembro, chega um casal de amigos para passar o reveillon conosco. Ela é brasileira, a conheci no Rio de Janeiro, quando ainda solteiras morávamos lá. Ela foi nossa madrinha de casamento. Depois disso, conheceu seu marido alemão em Nova York e foram morar em Munique. Agora, moramos todos na Europa. Não chega a ser a mesma cidade, mas acho que pode entrar para o grupo de coincidências. 

Enfim, voltando às festas, foi um feliz Natal. Agora é esperar a virada do ano, mas essa é uma outra história… 

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