92 – A Festa Brasileira

Desde que saímos do Brasil, Luiz e eu adotamos uma política de não buscar exclusivamente amigos brasileiros. Isso não quer dizer que a gente não goste de encontrá-los, pelo contrário, mas conhecemos gente nos Estados Unidos, por exemplo, que nem falava inglês. Simplesmente, optou por se isolar da cultura local e fingir que continuava no Brasil. Como uma negação. Dessa postura não gosto, respeito, mas não quero. Acho muito mais interessante se integrar, ou pelo menos se esforçar para conhecer a cultura do lugar que a gente vive, não perco nada, só adiciono. Sempre parto do princípio que se procurarmos as qualidades encontraremos e se procurarmos os problemas, também encontraremos. Então, se um problema cair na minha cabeça, não posso fazer nada a não ser resolvê-lo, mas eu que não procuro! 

Aqui em Madri, como em Atlanta, temos amigos brasileiros, espanhóis e de outras nacionalidades y así me gusta! Acho divertido uma festa onde se fala várias línguas, corretamente ou não, isso não importa, o importante é que a gente se comunique e que exista afinidade. 

Agora, também é verdade que os estrangeiros aqui sentem vontade de conhecer melhor o Brasil. Aliás, o Brasil anda na maior moda! Por isso, as últimas festas que temos feito, temperamos com uma certa brasilidade. As caipirinhas fazem muito mais sucesso que os vinhos e as músicas são extremamente bem recebidas. E para os amigos brasileiros, é sempre bom se sentir um pouco em casa. 

Nessa última sexta-feira, soubemos de uma festa brasileira na Sala Caracol. Quando escutamos falar de uma festa brasileira por aqui, infelizmente, há uma dose de suspeita, pois, não é sempre, mas muitas vezes é codinome para festa com prostitutas. No início, isso me envergonhava um pouco, não gosto dessa imagem da brasileira. Nada contra as meninas que fazem seu trabalho não muito fácil, mas acho muito desagradável essa generalização. E o pior de tudo é saber que a imagem do Brasil fica afetada, mas na minha opinião, a culpa mesmo é de quem paga e normalmente são estrangeiros. Acho que esses estrangeiros é que deveriam se envergonhar. 

De uma maneira ou de outra, percebo que a imagem do Brasil melhorou bastante no cenário internacional nos últimos anos, principalmente em uma Europa, que apesar de tradicional, também é muito curiosa. 

Mas voltando à festa da Sala Caracol, no ano passado Luiz e eu fomos a uma festa por ali para sentirmos o ambiente. Achamos animado e não vimos nada que depusesse contra nosso país. Portanto, nessa última festa, que era um pré-carnaval, fiz a maior propaganda e combinamos de ir com amigos de diferentes nacionalidades.  

Fizemos uma festinha de aquecimento aqui em casa, onde rolaram caipirinhas, cachacinhas e comidinhas. A gente faz caipirinha de frutas diferentes, o que para os estrangeiros é algo exótico.  

Daqui seguimos para a festa brazuca, onde rolava um show da banda Maracatu FM. Aliás, um show excelente! Aos meus ouvidos, soou como um Mangue Beat de primeira! Talvez outras fusões de ritmos também, mas estava mais interessada em dançar que entender. Esse show acabou por volta de 1:30 da manhã, o que é cedo para Madri, mas que dependendo da localização é o que a prefeitura autoriza.  

Nosso grupo se dividiu porque algumas amigas brasileiras acharam que se tratava de música baiana e não se interessaram, foram para outra boite. Gosto de música baiana também, mas não tinha nada a ver e nós ficamos até o fim do show. Quando acabou, Luiz, eu e uma amiga koreana fomos catar aonde o povo tinha se metido. Descobrimos que a tal da boite era a Posada de Las Ánimas, bem perto da nossa casa. Ou seja, partimos para a terceira fase da noite! 

As noites em Madri são assim, longas! É muito comum irmos a mais de um lugar ao longo da madrugada. Dependendo da hora, cada lugar tem seu ponto forte. Haja energia! 

Óbvio que chegamos em casa quase de manhã e meus planos de visitar uma feira de arte no dia seguinte foram para as cucuias! Tudo bem, tinha o sábado para descansar e fui no domingo. 

Bom, quer dizer, descansar de dia, né? Porque na noite de sábado em Madri, quem quer ficar em casa? Eu achando que ficaria na minha caminha quentinha, me recuperando da ressaca de sexta-feira, liga um casal de amigos brasileiros muito legais. Daí, fazer o que? Nos integrar a cultura local, tomar um bom rioja, comer umas tapas e papear com amigos. Pensando bem, o mundo não é tão grande nem tão diferente assim. 

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