90 – A Picanha

Sou carnívora! Os vegetarianos que me perdoem, mas uma bela carne é fundamental. Nasci com caninos, fazer o que?  

É verdade que preciso comprar as carnes em supermercados, cortadinhas e limpinhas. Assim, posso esquecer que é um animal. Preciso acreditar que um bife nasce em algum tipo de árvore exótica. 

A comida de Madri é muito boa, mas a carne deixa um pouco a desejar, como na maior parte da Europa. Além disso, os cortes são diferentes e ainda tenho um pouco de dificuldade em identificá-los. 

Em Atlanta, encontrávamos churrascarias brasileiras muito boas. Mas em Madri é mais difícil. Existem, mas não são fantásticas. A melhor que já fui até o momento é a Mistura Fina, em Majadahonda, meio longe para irmos sem carro. E a melhor carne e a do Picanha, mas não é exatamente uma churrascaria. 

Enfim, de qualquer forma, ainda tinha aquela vontade danada de fazer uma super picanha em casa, mas como explicar isso no açougue? Até que navegando pelo orkut, em uma comunidade de brasileiros em Madri que frequento, descobrimos que aqui também se faz esse corte e se chama tapilla ou tapa de cuadril. Não é um corte espanhol, mas os argentinos e brasileiros comem, portanto, alguns lugares o faziam. 

Bom, o próximo passo era ir até o açougue e testar a informação. Fui junto com o Luiz, porque não queria pagar o mico sozinha do açougueiro me olhar com cara de ET sem ter a menor idéia do que era a tal da tapilla. Pois o rapaz não só conhecia o corte, como havia namorado uma brasileira. 

Ele tinha um pedaço cortado, mas estava totalmente limpo, sem gordura. É que a carne aqui é muito cara e as pessoas não querem pagar o preço do kilo para levar gordura. Expliquei para ele que entendia sua boa vontade, mas precisava da gordura para temperar o churrasco, além disso, gostaria de uma peça um pouco maior. Ele me cortou um outro pedaço e me olhava com cara de espanto me perguntando se realmente eu queria levar com toda aquela gordura, que nem era tanta. Disse que sim, que não a comia, mas que nosso churrasco é temperado pela gordura da própria carne e sal grosso. Ele não se conformou e pediu para tirar só um pouquinho, daí pesou a carne mais limpa, me deu um desconto no peso e embalou a carne junto com o pedaço de gordura tirado. ¡Joder! 

Mas a verdade é que ele foi tão gentil e simpático, que achei mais fácil sorrir, agradecer e sair com a carne embrulhada com um pedaço inútil de gordura solta por cima. 

E o resultado? Huuuuummmmm… um belo churrascão caseiro! 

Seja bem vindo a comentar! Sua resposta pode demorar um pouco a ser publicada.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s