82 – Os cheiros de Madri

Gente! Madri tem cheiros! Parece estranho só ser capaz de notar isso quase um ano depois que moro aqui, mas juro que é a mais pura verdade. Antes disso, só notava cheiro de cigarro. Tenho até medo de elogiar muito, mas menos de um mês após a lei de restrição ao fumo ser implantada, o cheiro da cidade mudou! 

Começou por chegarmos em casa, vindos de um restaurante, e não precisarmos arrancar a roupa correndo, com  vontade de queimá-la, e entrar embaixo do chuveiro. Sem nenhum exagero, às vezes até as roupas de baixo tinham cheiro de fumo, nem me pergunte como! 

Para o cabelo, comprei um tal de “champú seco”,  Flor de Azalea, que apesar desse nome brega, salvou minha vida em diversas noites. Parece um laquê que tira o cheiro de cigarro e a oleosidade do cabelo, como se fosse um talco, mas não estraga a escova. Tá bom, meninos, sei que para vocês essa informação parece irrelevante, mas garanto que para as meninas que chegam em casa da balada, no meio da madrugada, com o cabelo cheirando a cinzeiro, essa é uma informação importantíssima! Podemos dormir em paz e lavar a cabeça com calma no dia seguinte. 

Notei que o ar havia mudado quando estávamos em um shopping. Quase nunca vou a shoppings aqui, normalmente prefiro a rua, mas nesse dia fomos. De repente, comecei a notar aromas de diferentes perfumes, cheiro de insenso em algumas lojas, alguns cheiros de comida pela praça de alimentação, cheiro de suor, cheiro de neném… E pensei sozinha, que engraçado, os shoppings cheiram tão diferente das ruas. Até que passei na frente de uma das portas de saída, onde havia uma área reservada para fumantes. Reconheci o cheiro instantaneamente, e só aí notei que não é que não houvessem aromas antes, mas o cheiro do cigarro abafava quase todos. Isso é incrível!  

É difícil acreditar que as pessoas, inclusive eu, pudessem aceitar a anulação parcial de um dos seus sentidos em favor de um vício! Até esse momento, sempre acreditei que o cigarro era apenas inconveniente e fazia mal a minha saúde, mesmo que não desfrutasse dele. O que, convenhamos, já é bem ruim. Mas ainda não havia percebido que ele me tirava uma das dimensões da vida, me roubava a percepção dos cheiros. 

Agora ando como um cão farejador! Putz! Realmente, às vezes acho que pareço maluca, mas é que com essa revelação me pareceu que poderia estar vendo um filme sem a trilha sonora. Quero Madri inteira, com o bom e o ruim, e com todos os seus cheiros! 

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