74 – O Banquete

Adoro rituais e adoro comida! Imagine juntar esses dois prazeres. Agora adicione amigos queridos e vinhos perfeitos. O resultado é correr para o abraço! 

Nem sempre tenho a oportunidade de fazer um jantar com todas as suas etapas, um banquete. Mas isso é bom, porque quando faço tem um ar de acontecimento. Normalmente, inicia com um vinho enfurecido comprado pelo Luiz, o que faz minha imaginação lembrar de mil sabores e tento selecionar qual seria o adequado para aquele vinho. Chego a ficar nervosa, ansiosa, mas é gostoso. Daí, precisamos esperar a ocasião certa, pois não se pode desperdiçar um momento assim impunemente. 

Há pouco tempo, tivemos essa oportunidade. Fiz o jantar para Luiz e um casal de amigos. 

O amouse-bouche foi um fois gras fresco, acompanhado de uma geléia de morango e goiaba. Servido com um Tokaji Oremus. O Tokaji é um vinho húngaro de sobremesa, mas fica delicioso com o fois gras e, nesse caso, vale à pena quebrar o protocolo e serví-lo no início. Também combinaria muito bem com um Sauternes. 

A entrada foi um salmão defumado com molho de mel, limão, shoyo e um toque leve de gengibre, acompanhado de ovos duros recheados com caviar. Esses ovos são feitos da seguinte forma, cozinhá-los de maneira que a clara fique firme, mas a gema não fique totalmente cozida. Cortar os ovos ao comprido, retirar a gema, esmagá-la com um garfo e adicionar manteiga, creme de leite e um pouco de sal. Rechear as claras novamente com esse creme e colocar uma noz de caviar sobre o recheio de gema. Tomamos com uma cava Segura Viudas gelada como deve ser, também poderia ser uma champagne. É que, como começamos com um vinho de sobremesa, convém reiniciar o caminho com um branco ou um espumante. 

O prato principal foi um pato crocante com molho de vinho, ameixas e ervas, acompanhado de dois tipos de cogumelos cozidos na manteiga e com um toque ligeiro de Porto. O vinho foi o campeão da noite, um bordeaux grand cru classé Château de Fieuzal 93, tratado com o ritual completo e no ponto perfeito para ser tomado. Todo o cardápio foi montado ao redor dele. 

De sobremesa, queijos e retomamos ao Tokaji, agora com outro sabor. Pessoalmente, gosto muito desse vinho com roquefort e camembert. 

Jantares assim me fazem sentir uma pessoa privilegiada por conhecer e desfrutar sabores. Por isso, quando tenho a oportunidade, adoro compartilhar esses momentos, cozinhar para as pessoas e oferecer a comida. Quanto mais as pessoas saiam da mesa se sentindo especiais como reis e rainhas, maior é minha satisfação. É minha linguagem favorita, uma maneira de me comunicar sem deixar margem para erros de interpretação. A comida é essencial, necessária para vida. Quando tenho a responsabilidade de oferecer um pouco dessa vida, que seja cheia de prazer! 

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