111 – A crônica que deveria ter censurado

Nesse momento, se não escrevo, explodo. E nem me resta mais a feliz alternativa de fingir que nada posso fazer. É difícil sobreviver ao encontro com o real, e por isso já passei algumas vezes. 

Há algum tempo atrás vi o filme “Matrix” e me pareceu bom, mas ao mesmo tempo comercial demais. Depois, pouco a pouco, você vai se abstraindo dos efeitos especiais e do romance que nada tem a ver com o conceito da obra, é uma mera distração. Quem sabe um disfarce para possibilitar o acesso à toda aquela informação. E digo isso porque cada vez mais tenho a sensação que me desconectaram ou desconectei a tomada da cabeça. E o que me pareceu um momento de lucidez e uma grande vantagem, tem se transformado em meu inferno! A realidade às vezes parece insuportável. 

Meu refúgio quase seguro, a arte, tem se mostrado mais importante no discurso que na prática. Na realidade, se parece mais e mais ao mesmo mundo de negócios que conheço bem e que precisei renegar para prosseguir. E que ingenuidade a minha em crer que haveria um lugar diferente no mesmo espaço. O único espaço que posso idealizar é minha cabeça, mas aparentemente nem isso posso mais.  

Como o poder vai se concentrando na mão de quem controla conceitos corretos, os conecta com um discurso coerente e nos impõe goela a baixo. Na maior parte das vezes, isso nem é percebido, pois o que analisamos são os fragmentos de verdade e não o resultado dessa conexão. Simplesmente acreditamos que várias pequenas verdades juntas se transformam naturalmente em uma verdade maior. Estamos perdendo a capacidade de ver a vida real de maneira ampla. O discurso é muito mais razoável e digerível.  

É muito mais fácil viver entre o imaginário e o simbólico, na verdade, é necessário. Mas onde fazer o corte do que realmente sou e do que quero ser? 

Cassilda! É essa crise de identidade que vira e mexe vem tirando meu chão. Lá vem minha próxima crise existencial. Estava demorando.

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