102 – Começar de novo…

Eu e minha boca grande! A gente precisa ter muito cuidado com o que deseja! Porque acontece! 

Não estava falando tanto sobre começar um ciclo novo, de novos olhares e tal? Pois é, então não seja por isso, lá vamos nós começar outra vez! 

Alugamos esse nosso apartamento por um ano, acho que contei isso lá atrás. A verdade é que naquele momento um ano nos parecia uma vida, mas passou num piscar de olhos.  

Havia a possibilidade da dona do apartamento precisar morar fora de Madri e, automaticamente, renovaríamos o contrato, bom para ela e para nós. Claro que isso não aconteceu, o quer dizer que lá vamos nós, os caracóis alucinados, com a casa nas costas de novo! 

Enfim, recebemos a notícia com um certo desânimo. Dá cansaço só de imaginar a trabalheira. Olho para meu gato com aquela cara de Garfield e o imagino dizer “joder!”.Mas como diz o ditado, o que não tem remédio…  

Uma coisa está mais fácil, minha noção de espaço mudou e consegui me acostumar a lugares menores. Os apartamentos mais centrais na Europa são sempre muito pequenos e no início dava cabeçadas pela casa. Agora acho até grande. Engraçado que temos poucos armários e minhas coisas que pareciam poucas quando saímos do Brasil, ou melhor, o mínimo que poderia trazer, aqui me parecem um exagero. Chego ao absurdo de gostar quando quebra um copo porque rapidamente associo a mais espaço no armário ou menos coisa para carregar! 

Iniciamos a busca, que não é nada fácil, mas temos um certo know-how e estamos tentando nos animar. Quem sabe ainda vamos para um lugar melhor, não? Um ano depois, estamos nós novamente caminhando pelas ruas e procurando placas de “alquiller” pelas portarias dos edifícios. 

Hoje, voltando para casa, percebi o quanto a rua onde moramos se tornou familiar. Sei a ordem das lojas e os cheiros quando passo na frente delas; conheço boa parte dos cachorros que passeiam pelas calçadas; reconheço os dois pedintes cativos da rua, uma senhora que se veste sempre de preto e um senhor com uma deficiência em um dos pés que desaparece no inverno; sei em que parte o asfalto está quebrado e preciso me cuidar para não torcer o pé; passo sempre rindo na frente da loja onde compramos o sofá-cama, aquele que viemos carregando na cabeça até o apartamento; sei como a rua fica arborizada e também quando as folhas caem; sei qual o caixa eletrônico onde não pago taxa de administração; sei onde é melhor pegar taxi e para que lado devo ir; sei onde comprar flores e onde encontro o “champú en seco” mais barato; sei um monte de coisas. Talvez seja a hora de saber outro lugar. 

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