121 – O casal baixaria

Minha relação de amor com o apartamento precisava ter algum defeito, não é mesmo? Pois descobrimos qual é, somos vizinhos de andar do “casal baixaria”. Aliás, diga-se de passagem, acho que todo edifício aqui tem um casal com esse perfil. No antigo apartamento também tinha, mas pelo menos não eram nossos vizinhos tão próximos e se acalmavam no inverno. Vai entender. 

Quando digo baixaria, não estou me referindo a barulho de sexo. Acho que isso seria divertido, quem sabe até estimulante, mas infelizmente é pancadaria mesmo. E, claro, baixaria que se preze, não começa antes das três da matina! 

Logo no segundo ou terceiro dia que mudamos, ouvimos algo que parecia com briga e choro de homem. Vá lá, podia ser uma coincidência, alguém chegou borracho (bêbado) ou algo assim. Entretanto, a coisa vem se repetindo. 

E o pior é que aparentemente eles gostam de público, porque sempre brigam com as janelas bem abertas, quando não gritando da varanda. Um barraco! E isso porque moramos em um bairro ótimo, para calar a boca dos preconceituosos que acreditam que essas coisas só acontecem nas camadas mais pobres e menos esclarecidas da população. 

É mais ou menos assim, daqui de casa a gente escuta os berros de “eres un cobarde”, “hijo puta” etc. E na janela do edifício em frente, vemos o reflexo de um jogando coisas no outro, uma beleza! Além de rolar uma bateção de porta que parece que eles saem e entram do apartamento algumas vezes. Realmente, não entendo. Aliás, não entendo nada. Julgar as pessoas é complicado, mas acredito que algumas situações deveriam ser de bom senso mundial. Por que continuam na mesma casa?   

Em doze anos de casada, nunca xinguei Luiz e nunca fui xingada. Não somos santos nem exemplos para ninguém, e é evidente que já tivemos nossa discussões, umas bobas e outras mais sérias, mas sempre com o limite do respeito. Posso em alguns momentos ter vontade de pular no seu pescoço, mas só de imaginar chamá-lo por um palavrão me dói a garganta. Vai muito além da minha natureza agressiva que venho domando ao longo dos anos.

Enfim, tinha a intenção de chamar esses vizinhos para a inauguração do apartamento. Felizmente, percebi antes que não são exatamente os amigos que queremos ter. Espero que se resolvam, ou que se separem, ou que, pelo menos tenham a dignidade de se matar em silêncio e deixar o resto do edifício dormir em paz. 

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