Distante da Espanha, neste país chamado Brasil, agora é tempo de calor, muito calor. Verão, para a maioria das pessoas que vive em lugares como a região onde eu moro, significa praia. E dentro da maioria, existe os que se “bandeiam” em direção ao mar conduzindo seus carros. Eu sou mais uma nesta “manada”. A diferença é que as três vezes que eu viajei para a praia onde meus pais tem casa, nenhuma foi para aproveitar o Verão. E a primeira desta viagens foi um completo desastre – mas nada perto do que realmente seria chamado de desastre dois dias depois.
Um amigo, que conheci em Madrid, voltou para o Brasil pouco antes do que eu. Quando ainda estávamos na capital espanhola, entre uma festa esparsa e uma sinucada, ele comentou que tinha o casamento de um grande amigo para ir em Santa Catarina. Fiquei interessada, claro – todos se interessam por essa questão territorial na mesma proporção em que conhecem paisagens diferentes pela vida, acredito. Quis saber onde seria o casamento. Para minha surpresa, o amigo dele iria se casar justamente em uma cidade vizinha daquela onde meus pais tem uma casa na praia. Então eu falei: “Se tudo der certo e eu estiver no Brasil nesta época, o que deve acontecer, vocês ficam lá na casa dos meus pais”.
Ok. O tempo passou, eu mudei meus planos e vim antes do previsto para o Brasil. O que motivou a minha mudança foram problemas na minha casa, em um dos maiores Sefodeaí.com preocupação que eu já tive na minha vida. “Pues nada…”, mais do que nunca eu disse para esse meu amigo que ele era convidado para ficar na casa da praia dos meus pais. A única mudança é que eu não ficaria com eles, porque estava em uma época de “cuidar” dos assuntos sérios em casa. Beleza. Quando chegou o dia em que eles chegariam, uma quinta-feira do final de novembro, me mandei para a praia. A idéia era chegar lá, dar uma geral na casa – que estava há mais de seis meses sem ver gente por ali – e, talvez, voltar no mesmo dia.
Os que acompanharam o que aconteceu em Santa Catarina no final de 2008 sabem que por aqui estava chovendo há meses praticamente sem parar. Pois no dia que me “bandeei” para a praia não foi diferente. Em teoria, meu carro estava em perfeitas condições. Afinal, ele ficou sem ser usado diariamente por três anos, período em que eu morei em Madrid, mas nem por isso ele não estava “em dia”, já que meu pai sempre estava de olho nele.
Cansada, lá fui eu para a praia para logo mais recepcionar o meu amigo e seus convidados (um casal de amigos dele). Quando saio de casa, em Blumenau, estava sem chover. Mas não demorou muito para começar. Em teoria, uma pessoa dirigindo de forma razoável – sem correr muito – e pegando um tráfego comum nas duas rodovias que normalmente se percorre para ir de Blumenau para Barra Velha, demora cerca de 1 hora para chegar na praia. Quando eu estava na primeira rodovia, dirigindo há uns 20 minutos, mais ou menos, começou o problema.
O limpador do vidro dianteiro esquerdo – ou seja, o do meu lado – começou a enlouquecer. Primeiro, ele engatava no outro limpador. Sefodeaí.com paciência e tentando dar um golpe de “esperta”. Volta e meia eu mudava a velocidade dos limpadores e isso “desengatava” a duplinha. Mas logo mais o da esquerda insistia em trepar encima do outro… até que ele partiu para a ignorância e resolveu simplesmente se matar. Ou, em outras palavras, se jogar radicalmente para o lado esquerdo, exibindo sua ponta ameaçadoramente do lado da minha janela. Diabos!!
Chovendo torrencialmente e tive que parar o carro no acostamento. Sefodeaí.com risco e molhada. Sim, porque eu tinha um guarda-chuva, mas nada era capaz de fazer uma pessoa ficar seca em uma situação como aquela. Primeiro porque chovia muito, segundo porque todo caminhão ou carro maior que passava ao meu lado jogava água na minha direção, é claro. Sefodeaí.com paranóia – sim, porque eu podia jurar que alguém iria amontoar o meu carro no acostamento e, de quebra, me atropelar.
Bueno… mexo aqui, desrosqueio o limpador dali, aperto novamente, coloco no lugar e vou para o carro. Recomeço a viajar, mas não tem jeito: logo em seguida o bendito limpador começa a trepar sobre o outro novamente. E, depois, salta para o lado esquerdo mais uma vez. Inferno!! Desisto de tentar fazer qualquer coisa com ele e sigo viajando, agora com apenas o limpador direito funcionando. Em outras palavras: dirigi metade do caminho, mais ou menos, sem o limpador do meu lado.
Tal proeza – dirigir sob uma chuva torrencial sem o limpador do meu lado funcionando e sem me matar em seguida – eu só consegui me debruçando em direção ao banco do carona. Sim, eu tive que conduzir o carro inclinada, praticamente na horizontal, tentando ver o melhor possível a estrada através dos olhos do caroneiro. Sefodeaí.com desesperador. Mas ok, nestas horas eu sempre penso: “Se não tem outro jeito, vamos que vamos!”. Agora, que foi um dos grandes desafios que eu já tive dirigir naquela posição sob um aguaceiro e com luzes fortes de caminhões e carros contra mim, ah, isso foi. Cada luz que vinha do outro lado se multiplicava na água que caia no vidro e eu enxergava super mal.
Agradeci imensamente quando cheguei viva na praia – salva, mas acho que não muito sã. Foi aí que eu descobri que o tal limpador não apenas tinha se jogado para o lado esquerdo violentamente como, desta vez, ele tinha desaparecido. Finalmente ele tinha conseguido o que tinha apenas tentado anteriormente: se matou! Se jogou para a imensidão escura de alguma parte do asfalto por onde passei.
Então fui começar a limpar a casa. Sefodeaí.com estressada. Não consegui limpar tudo o que eu gostaria antes deles chegarem, mas ok. Fiz o possível. E resolvi voltar só na manhã seguinte – até porque, se tivesse que viajar sem o limpador outra vez, pelo menos que fosse de dia. As benditas luzes de caminhões e carros não me atrapalhariam desta vez. Dormi poucas horas – umas cinco, mais ou menos – e levantei cedo para tentar encontrar alguém que me ajudasse com o limpador. No posto de gasolina eles vendiam apenas a paleta do limpador, mas não a peça inteira – haste e tudo o mais. Ok, então onde eu podia conseguir isso? Em um mecânico que talvez abrisse dentro de um tempo. Certo, vou para lá, em Barra Velha mesmo… mas antes o tiozinho do posto faz a gentileza de colocar o limpador do carona para o meu lado.
Vou até a tal oficina e, claro, eles não tinham aberto. Detalhe: eu acordei cedo e queria ir para Blumenau o quanto antes porque ia levar meu pai no médico, em uma consulta de retorno. Quando saí de casa, no dia anterior, já tínhamos combinado isso. Certo, não vou esperar mecânico algum abrir… dane-se! Vou me mandar para Blumenau de qualquer forma. E foi assim que segui para a casa dos meus pais, na sexta-feira, véspera dos morros começarem a cair para valer, dirigindo com apenas um limpador – mas desta vez, do meu lado.
Estávamos acostumados todos com as chuvas e os temporais, mas ninguém imaginava que tudo começaria a virar lama, descidas de água violentas, desbarrancamentos e drama em poucos dias. Tanto que eu tinha claro, ainda na manhã de domingo, que eu iria para Barra Velha novamente pegar a chave da casa dos meus pais. Ledo engano. Fiz o almoço naquele domingo e sai de casa. No caminho, comecei a ouvir uma rádio local e a ter noção do que estava acontecendo. Vi pessoalmente muitos lugares em que os morros tinham simplesmente caído sobre a rodovia, mas só fui me convencer mesmo que não daria para voltar para a casa de praia quando vi um mar de água passando por cima do asfalto. Meia volta volver… e a ficar em casa, porque estava isolada a minha cidade em relação ao litoral. Esse Sefodeaí.com gigantesco, o maior que minha cidade já teve notícias. Mas essa já é outra história.


da próxima vez, deita o conteúdo de um gigarro no vidro. A água escorrega passa a ver-se bem
Abraços
Caraca chica, que isso !!!! E a pessoinha foi dirigindo de lado pela estrada é? Muito bonito heimmmmm !!
Ainda bem que deu tudo certo no final
Beijossssssssssssssssssss chic
Cê chama isso de férias????!!! Uma temporada no Piscinão de Ramos, comendo chuurraquinho de gato na beira d’água seria mais relax….
Esse blog não para de me surpreender com boas histórias….parabéns Alessandra, e claro, à Bianca tb!